quinta-feira, 19 de abril de 2018

Nosso dia em Palavras

Longe de mim desprestigiar as imagens, especialmente conhecendo o efeito ímpar que o sorriso daqueles que amamos causa em nossas mentes e almas. Além disso, o sábio chinês diria que a imagem equivale a mil palavras. O vernáculo, no entanto, é capaz de transmitir cheiros e gostos, ideias e tramas; de unir leitor e texto de maneiras muitos particulares. As palavras entram, portanto, numa seara onde as imagens normalmente não se atrevem a andar. Portanto, para aqueles que preferem a imprecisão do registro escrito e completam a seu modo e com ajuda da imaginação os espaços mal preenchidos deixados pela inculta e bela língua, relato aqui um pouco do nosso dia.

Hoje deixamos Tel Aviv, uma cidade com um pé na realidade do concreto e outro na nuvem de um sonho, uma visão de futuro. Assim foi batizada, como o encontro do Tel (colina ou cidade antiga) e Aviv (primavera, florescimento, futuro). É o sonho que hoje faz aniversário: Israel completa 70 anos, e não é menos real do que sua gente.

Foi nesse clima, de aniversário, que viemos à capital do país. Não comentei antes, mas o leitor haverá certamente notado, em fotos ou vídeos aqui postados que há muitas casas, carros e ruas adornadas com a bandeira azul e branca. Aqui, o dia da independência não é um simples feriado para viajar ao litoral. É impossível ignorar que esta é a semana da independência. O país inteiro está mobilizado. E nós fizemos parte disso.

Imagine o leitor como seria se, a partir do dia 4 de Setembro, no Brasil, a independência do país, sua autonomia e liberdade fossem o assunto das ruas, dos canais de tevê e dos bares. Se as pessoas comprassem carnes especiais para fazer o churrasco em honra à independência do país e não porque é feriado e tem o dia livre.

Em Jerusalém, o clima era de festa. Pelas ruas, bandeiras e enfeites. Nos rostos, estampada a alegria de quem cumprimenta estranhos na rua dizendo Chag Sameach. Desculpe voltar à comparação, mas imagine que no Brasil as pessoas desejassem alegremente uns aos outros uma "Feliz Independência". Nem pareceria fazer sentido. Mas aqui faz. Muito.

Aproveitamos a vinda a Jerusalém para conhecer a Tayelet de Armon Hanatsiv - uma vista privilegiada para a cidade velha. De lá se pode ver como a cidade começou, há 3000 anos, já escolhida para ser a capital de David. A cidade tinha tudo: importância religiosa, geográfica e social, pois ficava na fronteira entre duas tribos. Um lugar talhado para unir o povo judeu. Mesmo na diáspora, essa cidade, ainda que na imaginação, manteve o povo unido através do anseio por rever suas muralhas.

Fomos almoçar e começamos a encontrar outros grupos. Todos os milhares de jovens que marcharam em Auschwitz na semana passada estavam aqui. Agora vestindo outras cores - e outro sorriso. A Marcha na Polônia também foi emocionante e, de certa forma, até alegre. Porém, se na Polônia a alegria era a indumentária, aqui era o próprio corpo. Sorrisos, risadas, gargalhadas. É Yom Haatzmaut, estamos em Jerusalém, o futuro está diante de nós e será melhor, será fantástico. Como não sorrir?

O Kikar Safra estava tomado por uma onda humana, multicolorida que flutuava sobre a quadra central da prefeitura ao ritmo das músicas e da batucada. Marchamos pelas ruas, ao lado das muralhas e por dentro da antiga cidade. Chegamos até o Kotel. Tivemos então um momento para rezar, agradecer, refletir. Cada um ao seu modo. 

Depois, subimos para o quarteirão judaico da cidade velha e fizemos uma rápida visita. Seguimos para o ônibus que nos levou a Latrun. O lugar está estrategicamente posicionado em uma colina que domina o caminho entre Jerusalém e Tel Aviv e foi palco de um dos combates mais difíceis na Guerra de Independência (1948) entre Israel e a Legião Árabe. Hoje, há em Latrun um museu dedicado aos combatentes da divisão de blindados (tanques) do exército e também um novo museu que lembra os combatentes judeus durante a segunda guerra mundial.

Uma super estrutura foi montada para nosso jantar e para o Show que aconteceu no teatro de Latrun. Aliás, para isso não há palavras! O show foi incrível! Músicas, show pirotécnico, performances artísticas e tudo o mais que se possa imaginar. Muita alegria e muita emoção, ao lembrar tudo o que já passamos até aqui e que apenas na semana passada marchávamos em Auschwitz.

Daqui a pouco compartilho com vocês algumas cenas do Mega Evento.

Até mais.




Um comentário:

Em Solo Gaúcho

Pousamos em Porto Alegre. Acredito que esse é o último post desse blog. Ja vamos descer do avião. Nos vemos em instantes.