Sobre as montanhas do Galil, Tzefat surge imponente. É uma cidade muito especial. De acordo com muitos estudiosos "começa aqui a Cabalá" (hehe... desculpem o trocadilho infame, mas não podia perder a piada). Tecnicamente, a Cabalá não começou aqui, mas é transmitida desde a época de Moshê (Moisés). Porém, essa cidade foi, nos séculos 16 e 17, um importante centro de cultura judaica, misticismo, estudo da Cabalá, liturgia e Halachá (lei judaica).
Aqui o Arizal universalizou vários conceitos que mudaram a forma de ver a Cabalá. O Shulchan Aruch (Rabi Iossef Caro) escreveu o mais completo e definitivo código da lei judaica – obra que teve o complemento do Rabino Moshe Isserles (conhecido como Remá), em Cracóvia, que adaptou o livro às tradições dos Ashkenazim. Semana passada estivemos na sinagoga do Remá, na Polônia, e hoje estivemos aqui – duas cidades ligadas por um elo inquebrantável.
Também viveu aqui o rabino Shlomo Elcabetz, que compôs o Lecha Dodi. Em grande medida todo o kabalat Shabat como conhecemos hoje teve influência de Tzefat.
A cidade vive até hoje esse clima. Há muita arte e misticismo nas ruas. Muitas academias de estudo de judaísmo. Essa espiritualidade se reflete até mesmo nas paredes da cidade permeadas de uma coloração azul celeste, uma cor muito especial para os estudiosos da Cabalá – a cor do Tzitzit (fio do Talit). Rabi Meir pergunta no Talmud (Menachot 43a): “Por que o azul celeste é diferente das outras cores?”. De acordo com ele, o azul celeste nos faz lembrar do mar; o mar nos lembra os céus, o céu nos lembra a safira e a safira nos lembra o Trono do Eterno. A ideia é inspirar o ser humano para que sempre aja com bondade, tendo em mente tudo o que está acima dele. A cidade é repleta dessa lembrança.
Caminhamos pelas estreitas ruelas da cidade, onde se apinham lojas de artistas que emprestam um ar boêmio a esse lugar sagrado. Ouvimos do nosso guia as histórias da cidade antiga, de seus sábios e a história recente de Tzefat, que sofreu muito durante a guerra de Independência de Israel em 1948.
Infelizmente (como de costume) não há muito tempo para escrever agora. Estamos na estrada a caminho do Mar Morto. São 14:10h aqui, 8:10h aí no Brasil.
Daqui a pouco eu volto.
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