segunda-feira, 16 de abril de 2018

Palavras sobre Cesareia

Cesareia é um lugar impressionante por sua beleza e por sua riqueza. Ir a Cesareia é cercar-se de cores por todos os lados. É deixar-se hipnotizar pelo mar azul e pelo contraste com o céu e as ruínas. É tentar, em vão, compreender o significado de sua beleza. Esse encontro entre o mar e o céu semeia em quem vem à cidade a vontade de permanecer, de contemplar ou de arrancar um pedaço da paisagem e do mar para levar consigo para sempre.

Além disso, ir a Cesareia é fazer um mergulho na história, é viajar pelo tempo. Aqui, há dois mil anos, Herodes ergueu uma cidade em homenagem ao Cesar romano. Com uma avançada tecnologia de construção civil (e, claro, o trabalho forçado de milhares de escravos) Herodes ergueu uma imponente cidade em poucos anos. O porto da cidade, uma baía artificial, foi construído com um método revolucionário de concretagem submarina. Este porto foi a chave para a prosperidade da cidade após sua construção, inserindo-a na rota do comércio no mundo antigo.

Aqui viveram cristãos, romanos e judeus. O famoso Rabi Akiva chegou a habitar na cidade. O Talmud, porém, afirma (Meguilá 6a - em tradução livre): "se te disserem que Jerusalém está construída e Cesareia está destruída acredite. Se te disserem que Jerusalém está destruída e Cesareia construída acredite. Se te disserem que ambas estão destruídas ou ambas estão construídas não acredite, pois quando uma está no auge a outra está destruída". Há muitos diferentes comentários sobre esse trecho, mas, aparentemente, o Talmud enxerga Cesareia como o símbolo do domínio romano subjugando Israel, e Jerusalém como o símbolo da independência e da liberdade. Não podem ambas as situações conviver - não pode haver independência quando subjugados e não há domínio ou ditadura quando há liberdade. Cesareia foi o retrato do domínio romano sobre Israel.

Através dos anos, a cidade foi dominada por Bizantinos, árabes e cristãos. Foi remodelada, reinventada. Na era moderna, as terras da cidade foram compradas pelo Barão de Rotschild e uma nova Cesareia começou a emergir. Ao lado da cidade antiga, surgiu também o Kibutz Sdot Yam, onde vivia Hanna Szenes, judia húngara que voluntariou-se para combater os nazistas na Europa durante a segunda guerra. Ela saltou de para-quedas atrás das linhas inimigas, foi capturada, torturada e assassinada.

Caminhando pela praia de Cesareia fica fácil entender a inspiração de Hanna Szenes, que, vivendo aqui, compôs um famoso poema que se tornou também uma canção muito popular em Israel. No poema, além do profundo significado da palavras (sendo a abertura do poema baseado no salmo 22), as aliterações do Shin e do Resh transmitem a ideia do som das ondas e do vento no mar. Para aqueles que apreciam, Cecília Meireles utiliza recursos parecidos para obter o mesmo resultado, mas Hanna Szenes o faz de forma muito mais concisa e condensada. Abaixo transcrevo seu poema com tradução livre (deste que vos escreve) como também um link para ouvir a canção.

Estamos chegando a Haifa, onde faremos nossa próxima parada. Mais tarde, quando houver tempo, compartilho com vocês mais imagens e um vídeo desse lugar tão belo.

Eli, Eli

Eli, Eli

Shelo yigamer le'olam:
Hachol vehayam

Rishrush shel hamayim
Berak hashamayim

Tefilat ha'adam.


Meu D-s, Meu D-s

Meu D-s, Meu D-s

Que essas coisas jamais acabem:
A areia e o mar

O sussurro da água
O relâmpago do céu

A oração do homem.

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Em Solo Gaúcho

Pousamos em Porto Alegre. Acredito que esse é o último post desse blog. Ja vamos descer do avião. Nos vemos em instantes.