São 12:40h aí no Brasil. Aqui, já passam das 17:40. Nas próximas postagens, conto um pouco mais sobre o nosso dia. Viemos hoje à Lublin, onde visitamos a famosa Yeshivá Chachmei Lublin (literalmente: "Sábios de Lublin"). Esta academia rabínica revolucionou a forma de estudar de várias maneiras.
Para destacar duas: elaboraram uma Yeshivá com dormitórios, para receber alunos de toda a Europa e até mesmo de outros países. Segundo contam, para ser aceito na Yeshivá, o candidato deveria saber ao menos duzentas páginas do Talmud de cabeça!
A outra grande revolução da Yeshivá partiu de seu Rosh Yeshuvá (o rabino chefe), Meir Schapira, no anos 1930. Ele elaborou um método de estudo chamado Daf Yomi (folha diária). O Daf Yomi foi pensado para quem NÃO estava na Yeshivá, mas desejava cumprir sua obrigação judaica de sempre estudar e aprender mais sobre a Torá, com objetivo de se elevar espiritualmente e lapidar seu caráter. É uma proposta para médicos, engenheiros, advogados, sapateiros e tudo o mais. Trata-se de dedicar uma hora do dia para estudar uma única página do Talmud. Se uma pessoa estuda uma página por dia, em 7 anos, estudará todo o Talmud. Isso também serviu para unir judeus de toda Europa, especialmente os que viviam nos países do já então extinto Conselho das Quatro Terras.
Outro aspecto interessante dessa forma de estudo é que os judeus que participavam estavam todos, literalmente, "na mesma página". Ou seja, se um judeu comerciante de Lublin viajava para Varsóvia e encontrava um amigo sapateiro podia conversar com ele sobre a discussão talmúdica do dia anterior ou do próprio. Mais ou menos como falar do último capítulo da novela.
Dessa Yeshivá partiu, portanto, uma grande revolução que até hoje afeta muitas comunidades judaicas. Há estudos de Daf Yomi até mesmo em português, em https://www.dafyomi.com.br/. No dia de estudar a última página e finalizar o estudo de todo o Talmud, se faz uma grande festa. Essa ideia, criada aqui nos anos 1930, causou um impacto tão grande que, no início do seculo 21, nos Estados Unidos, o grupo que finalizou o Talmud na área de Nova York reuniu todos os que estavam estudando para estudar a última página no Madison Square Garden. Não havia lugar para todos. A última "finalização do Talmud" na região, foi feita no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Em São Paulo, a última finalização reuniu milhares de pessoas na Hebraica.
Finalização do Estudo do Daf Yomi no Met-Life Stadium
Tudo isso, somente nessa Yeshivá, que foi desativada assim que começou a guerra. Não é possível sequer imaginar, tudo o que foi perdido. Do ponto de vista da cultura, das artes, da religião, da vida.
Durante anos, o prédio serviu como Faculdade de Odontologia, até que, nos anos 2000, o governo polonês devolveu o prédio à comunidade judaica e a Yeshivá foi restaurada e abriga também um hotel.
Haviam em Lublin judeus chassídicos e não-chassídicos, religiosos e laicos. Participavam do Parlamento e da vida política da cidade. Chegavam a ser 40 % ou 50% da população. Tudo isso desapareceu em 5 anos.
Na Yeshivá, fizemos um estudo de algumas linhas do Talmud e aprendemos um pouco sobre como era a vida das pessoas na Yeshivá.
Yeshivá
Yeshivá
Seguimos então ao Zamek (castelo), numa agradável praça da cidade, onde paramos para almoçar. De lá, fomos a Majdanek, o último lugar que visitamos na Polônia antes de seguir ao aeroporto (sobre isso, conto no próximo post).
Parada para Almoço no Zamek (castelo)
Parada no Zamek - distribuição promocional de Mentos (depois, se houver tempo, eu conto)
Parada para Almoço no Zamek
Parada para Almoço no Zamek
Parada para Almoço no Zamek

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