Estivemos agora em Majdanek. Vimos de perto a crueldade da máquina nazista. Milhares de pessoas foram assassinadas neste terrível campo de concentração e extermínio. O campo ficava a poucos quilômetros da cidade de Lublin - certamente este é um dos aspectos mais perturbadores desse local: as pessoas estavam muito próximas e podiam ver de suas casas, na cidade, o que ocorria no lá, podiam perceber de seus lares o terror do campo em seu quintal.
Esse foi o primeiro Museu do Holocausto da história. Os russos chegaram aqui ainda antes do final da guerra, em 1944, (pois Lublin fica próximo à fronteira polonesa com a Rússia - na época União Soviética) e resolveram documentar a maldade e a morte que encontraram no lugar.
O idioma carece de palavras para descrever essa barbárie, já que a língua se presta a descrever aquilo que pode ser concebido pelo ser humano, ainda que no imaginário; aquilo que pode ser vislumbrado pela razão ou que, ao menos, tangencie a razão. Majdanek não pode ser descrito em palavras - não em palavras humanas. Ouvimos os depoimentos de sobreviventes.
Ouvimos as palavras de Halina Birenbaum - que passou seus últimos momentos na companhia de sua mãe neste campo. Ouvimos sobre a dor de todos os dias. Sobre as insanas e sádicas ordens - totalmente aleatórias e ilógicas - dadas por oficiais somente para causar sofrimento (ou morte) aos prisioneiros judeus. Ouvimos as histórias de quem, aqui, viu pela última vez a sua mãe, seu irmão, seu filho.
Entramos num pavilhão. Toneladas de sapatos empilhados por todos os lados. Cada par representa uma pessoa - uma vida. Sapatos de crianças. Sapatos grandes e pequenos, de todos os tamanhos. Quem os haverá calçado? O que foi de suas vidas? Por onde andaram esses sapatos? O que é de seus donos?
Sapatos
Vimos a proximidade do campo com a cidade - os cidadãos que assistiam passivos ao massacre que ocorria diante de seus olhos, que sentiam o odor fétido da morte e percebiam as cinzas que emanavam do campo.
Proximidade com a Cidade
Vimos as câmaras de gás, os alojamentos (verdadeiras armadilhas, onde a fome, a doença e as condições precárias eram cúmplices silenciosas dos nazistas em sua matança). Vimos o local onde os nazistas profanavam os corpos, a procura de dentes de ouro ou jóias que, eventualmente, a vítima poderia ter engolido na esperança de usá-las no futuro para subornar um guarda ou para conseguir um pedaço de pão. Nem mesmo após a morte podiam deixar que descansassem em paz. Vimos também os fornos crematórios - destinados a reduzir um ser humano à nada.
Num extremo do campo há hoje um monumento com as cinzas de milhares dos mortos de Majdanek. Fizemos lá uma breve cerimônia. Por um momento, nos conectamos espiritualmente com todos aqueles que passaram por aqui.
Sala de "Banhos e Desinfecção" - no final da sala há uma câmara de gás
Câmara de Gás
Fornos Crematórios
Mesa para profanar os corpos
Monumento
Isso tudo aconteceu. E hoje estamos aqui, diante de tudo. Apesar de tudo. Daqui, deste lugar triste, de dor e de morte, levaremos lições para a vida. Deste lugar partimos para Israel.
Agora estamos viajando ao aeroporto - em breve começaremos uma nova etapa de nossa marcha - Israel.
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